O Jogo no Tabuleiro

- O Nemthru -

 

 

 

O Afilhado das Fadas

 

 

A Falcoeira

O Guerreiro Cinzento
 

O Nemthru

 

Capítulo 1

Capítulo 2

Capitulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

A Casa de Lícora

 

 

 

6. 

Eneias e Edula foram encarregados de falar com Baldrício e arranjar os suprimentos para continuar a viagem. O homem ouviu-os, deu de ombros e disse laconicamente:

– Verei quantas belbelitas irão precisar.

Os dois viajantes entreolharam-se intrigados, mas quando quiseram perguntar-lhe o que significava a palavra, o nativo já tinha se afastado.

De acordo com as controvertidas informações que receberam, sobretudo das crianças, "belbelitas" podiam ser qualquer coisa: voavam; eram capazes de carregar duas vezes seu próprio peso; eram gigantescas; possuíam todas as cores do arco-íris; tinham pés de gigante e milhares de olhos...

As belbelitas eram, na verdade, imensas borboletas que mediam uns bons quinze metros de envergadura. Da parte inferior das asas de baixo, saíam dois rabichos que se achatavam flutuando sobre a água enquanto elas esperavam docilmente que seus donos atassem arreios em suas delicadas antenas e na base das asas. Quando o grupo chegou ao lago para aprender a lidar com os animais, alguns dos nativos já estavam prontos, os pés plantados sobre os dois pedaços de asas sobre a água, e deslizando como esquiadores, deixando esteiras brancas atrás de si.

Cíntia foi a primeira a expressar seus sentimentos a respeito dos gigantes: para surpresa de quase todo mundo, ficou encantada. Foi a primeira a aprender a manejar com os animais e com isso também foi a primeira a tomar um banho, o que arrancou risos entre os habitantes de Sambara. Mas, sem muita demora, estava guiando sua belbelita com bastante competência, os ventos do lago soprando seus longos cabelos louros, secando-os sob o sol.

– Vejam, que beleza! – gritou ela acariciando uma mancha vermelha da asa de um dos animais e, logo, levantando-a triunfante. Estava coberta de um fino pó vermelho e dourado que cintilava ao sol.

– Que velocidade alcançam? – perguntou Edula a Baldrício.

– O mais próximo de voar sem tirar os pés do chão – respondeu o homem oferecendo um balde de água e mel para o animal. O inseto desenrolou a tromba, até então relaxada numa espiral de quase meio metro, e meteu o bico dentro do líquido.

– Não quero aprender a andar nisso – reclamava Márcia para o irmão, que se aproximara da criatura profundamente admirado.

– Não seja manhosa – ordenou Cezna, no ombro do mago.

– Me dão medo! Tenho nojo! Não quero andar nisso.

– Vamos, são apenas borboletas! – raciocinou o irmão dela. – São inofensivas.

Enquanto os três discutiam, Lúcia deixou o grupo e aproximou-se de um dos insetos. Olhou-o e levou um minuto inteiro para dar-se conta de que não se tratava de uma alucinação, depois soltou um berro e correu de volta a estalagem.

– Pelo menos não sou a única a pensar assim – resmungou a irmã do mago, seguindo-a com um olhar maldoso.

Eneias permanecia em silêncio. Se limitara a olhar as criaturas com uma expressão estúpida no rosto e depois, pálido, deu a volta.

– Belbelitas, ah, sim, sei – balbuciou afastando-se lentamente.

– Onde é que você vai? – perguntou César aborrecido. – É preciso que todos nós aprendamos a guiá-las.

O trovador voltou-se com medo nos olhos, mas terminou capitulando. Aproximou um dedo da boca e pôs-se a mordiscar nervosamente a unha já curta.

– Guiar belbelitas, sei – disse, e depois ficou em silêncio.

Dessa forma, César, Eneias, Edula e Cíntia dedicaram a tarde para aprender a esquiar nos grandes animais, enquanto Márcia os assistia desconsolada e Cezna os sobrevoava mais animado. Lúcia permaneceu escondida em seu quarto e não apareceu nem mesmo para jantar na taverna perto da estalagem, onde o grupo tinha uma mesa cativa. Faiald, preso à cama, não podia fazer mais do que pôr no rosto um sorriso educado ao ouvir os aborrecidos conselhos do médico, e os avisos assustadores que o homem lhe dava por causa da data que haviam escolhido para partir.

– Ireis partir em uma Noite Negra, a noite em que a Terceira Lua não navega pelos céus! – advertia o sujeito, que também exercia de astrólogo, desde que o mago de Sambara morrera nas garras de Moredhra. – A Primeira e a Segunda Lua serão negras! Nada bom pode esperar-vos numa viagem que começa de maneira tão aziaga.

– Meu senhor, se minha vida estivesse regida pelas efemérides celestes, não daria sequer um passo nessa estrada – respondeu Faiald, o mais educadamente possível.

– Vejo a morte a espreita, viajante!

– Eu já vi a morte diante de mim, doutor, e ri dela.

O médico recolheu seu apetrechos, pálido com a audácia do jovem.

– Mesmo que eu visse a morte cara a cara, jovem, a última coisa que faria, seria rir. A morte não tem uma cara engraçada.

Faiald suspirou e olhou para fora, para o entardecer glorioso que chegava através da janela.

O grupo partiu numa manhã luminosa, quando a sombra das Rineve ainda lhes ocultava o sol. Baldrício e Dimas acompanharam o grupo até a fronteira pantanosa do lago, onde as águas se dividiam em braços, que às vezes se ocultavam na abundante vegetação, e que davam origem a diversos rios além dos pântanos. Os dois guias pareciam animados e não paravam de repetir os signos que deviam guiar os viajantes: as montanhas sempre atrás e um pouco à esquerda, garantiam o rumo nordeste.

César seguia numa belbelita à frente de todos, puxando uma balsa onde foram acomodadas Lúcia e Márcia. Edula vinha logo atrás, seguida por Cíntia e Eneias e por último, fechando a fila como de costume, Faiald, em cuja belbelita subira Bulbo, sentando-se bem perto da cabeçorra do inseto. Cezna esvoaçava ora com um, ora com outro, mas terminou sentando-se junto de Márcia. Todas as borboletas levavam, além de seu próprio pilotos, grandes pacotes de mantimentos, presentes dos habitantes da Aldeia da Lagoa.

Na orla do pântano, os dois nativos frearam seus animais. Um curso largo, de águas claras e calmas fluía com uma corrente quase imperceptível.

– Sigam sempre o Rius, até amanhã, por volta do meio dia – recomendou Baldrício estendendo o braço para a faixa prateada entre os águas-pé e os juncais. Veredas de água corriam ao redor dele, menores e menos delineadas. O que os nativos chamavam de rio era, na verdade, um canal mais largo que os demais. – Andarão setenta ou oitenta quilômetros na direção do noroeste. A estrada de terra não estará muito longe.

– Adeus e obrigado – despediu-se Faiald com um sorriso. – Espero que tenham longa vida e felizes dias pela frente.

– Teremos – riu Dimas, lançando-lhes um último olhar. – Enquanto o fim dos tempos não chegar, e não será na nossa vida, lembraremos de vocês. Adeus.

Os dois sambarinos deram meia volta com suas montaduras e desapareceram rapidamente na distância.

– Você tinha de dizer isso? “Espero que tenham longa vida”? Estou me sentindo uma miserável – murmurou Edula com os olhos presos nos vultos coloridos das asas gigantes que levavam os dois guias.

– Não se deixe iludir – reagiu Faiald. – Eles não são reais. Não existem!

A guerreira olhou-o com fúria.

– Lembre-se de que Cida não quis acreditar nisso – ele argumentou baixinho. O olhar da guerreira abrandou. Baixou a mão que segurava a rédea e suspirou pesadamente.

– Vamos embora – murmurou tristonha.

A paisagem era de uma suave resplandecência. Ilhotas verdes afloravam a água, as vezes cheias de aves que erguiam vôo assustadas, as vezes repletas de flores coloridas. Havia um perfume no ar, um cheiro de coisas nascendo e morrendo de uma maneira diversa que no Planalto das Colinas. Lá, tudo estava mesclado ao aroma da terra fértil, prenhe de promessas. Aqui tudo se diluía na umidade da planície, tornando-se suave como uma lembrança boa.

Logo que anoiteceu, acamparam em uma ilhota um pouco maior e mais seca que suas vizinhas. Acenderam o fogo e sentaram ao redor dele, enquanto Bulbo cozinhava.

– Bem, creio que não poderíamos pedir uma viagem mais tranqüila, não é ? – comentou Faiald, num tom casual.

– Não devíamos ter ficado tanto tempo lá. Devíamos ter partido muito antes – retrucou Lúcia, encolhida junto da figueira, olhando as brasas com um ar estranho. Um pouco distantes, as belbelitas descansavam, as chamas refletindo fracamente em suas asas erguidas e multiplicando-se no quadriculado de seus olhos.

– "Lá", onde? – confundiu-se Márcia.

– Em Sambara dos Pescadores.

A voz de Lúcia era grave, cheia de maus presságios.

– E por que não? – intrometeu-se Cíntia, fingindo não se importar com o tom da alquimista. – Foi um lugar maravilhoso e o descanso fez um bem enorme para todos nós.

– Pode ser, mas gastamos muitos créditos – replicou Lúcia.

Todos olharam espantados e finalmente César mordiscou os lábios e murmurou a contragosto:

– Pode ser que ela tenha razão, pelo menos desta vez.

– Logo você concordando com ela? – reclamou a mercadora. – Cama, comida de primeira, descanso, tudo isso de graça, e vocês ainda acham ruim?

– Ruim, não. Mas basta pensar um pouco: matamos Moredhra. Em um jogo comum, isso deveria valer alguns pontos, alguma vantagem que pudéssemos usar mais tarde. Entretanto, logo ficamos vários dias na maior moleza, sendo tratados como reis, "gastando" os pontos, entendeu?

Um silêncio constrangido desceu sobre eles.

– O único que importa é que chegamos mais longe que qualquer grupo, com exceção do primeiro. Estamos juntos, sãos de corpo e juízo – começou o ruivo, mas Lúcia o interrompeu com um ar viperino:

– "Sãos de corpo e juízo." Você me dá autêntico nojo!

Faiald balançou a cabeça:

– Precisávamos do descanso dos víveres. Eu diria que usamos nossos "créditos" quando foi necessário.

Você precisava de descanso. Nós só necessitávamos víveres – continuou a alquimista no mesmo tom ameaçador. – O que precisamos é sair daqui. O mais depressa possível.

O grupo assentiu em silêncio.

– Sim, mas para isso, precisamos de Faiald – argumentou César. – Mesmo assim, Lúcia tem alguma razão. É melhor não nos fiarmos da benevolência do Tabuleiro. A verdade é que estamos de volta ao jogo e não sabemos o que vem pela frente. Por isso olho vivo, minha gente, e a partir de hoje teremos turnos de guarda à noite outra vez.

Um coro de lamúrias se ergueu contra ele, com exceção de Lúcia, que voltara-se outra vez para o fogo, e de Faiald, que limitou-se a sorrir. Mas não houve nenhuma novidade durante a noite e tudo o que ouviram com o passar das horas, foi o ruído de insetos noturnos e os peixes que pulavam de vez em quando para apanhá-los.

Quando o dia nasceu, a luz iluminou névoas opacas que flutuavam sobre os pântanos, enredando seus dedos nos juncais, bordando tessituras brancas sobre o verde e o colorido das ilhotas. Não dava para ver muito além, embora sobre eles houvesse um céu claro como no dia anterior. Não havia movimento sob a névoa, nem vento, nem rumor de bater de asas, só o chapinhar da água e o quase invisível balançar das folhas.

– Teremos de esperar para partir – decidiu Faiald, especulando a paisagem com o cenho franzido. – Nenhum de nós conhece a trilha e será melhor ter paciência do que se perder nesses riachos.

– Estou com frio – queixou-se Lúcia. – Quero ir para o barco.

As belbelitas pareciam pedras e não os enormes insetos tinham nos trazido até ali. A balsa, se não fosse ver sua ponta surgindo dentre a cerração, pareceria um tronco boiando na água.

– Ninguém vai a lugar nenhum, enquanto a névoa não se dispersar – declarou o ruivo, terminantemente. – Vamos acender a fogueira e aguardar.

Ele mesmo começou a juntar pedaços de galhos para fazer o fogo, mas estavam todos molhados e nem uma faísca se acendeu, nem com a pólvora de alguns cartuchos de sua arma.

Horas depois, o nevoeiro ainda não se erguera. Ao contrário, tornara-se ainda mais espesso, cobrindo-os totalmente. Edula começou a fungar e César foi tomado por um acesso de espirros. Eneias, mais isolado, olhava ao redor cada vez mais ansioso. Lúcia balançava-se de um lado para o outro, cantarolando.

– Bem – disse Edula afinal – não podemos ficar aqui o dia todo. Já nos demoramos demais. Vamos prosseguir?

Cíntia levantou-se alarmada.

– Para onde? Não se vê um palmo diante do nariz!

– Temos de sair daqui. Permanecer pode ser perigoso. Será que vocês não estão vendo? Caímos numa armadilha! – ponderou a guerreira olhando para os demais.

– Edula pode ter razão – murmurou César. – Devemos seguir adiante.

– É uma loucura – disse Márcia, balançando a cabeça, desalentada. – Não podemos procurar o caminho como cegos. Podemos nos perder!

– César, não tem ideia de como ajudar? – perguntou Faiald, que começava a preocupar-se. – Aquela foamite foi ótima.

– Hum, bem... não sei. Quem sabe um ventilador? Não, seria inútil... um vendaval?

– Qualquer coisa que dissipe esse nevoeiro, será bem vinda – grunhiu Bulbo com as orelhas pendidas sobre o tufo peludo dos ouvidos.

César ergueu-se e abriu os braços, murmurando coisas para o ar, exigindo a obediência dos elementos em nome daqueles que invocava, nomes desconhecidos, sons antigos que lhe afloravam os lábios cada vez com maior facilidade, ecoando pelos seus ouvidos junto com as forças que sentia, vindas, não sabia de onde. Cavalgava estranhas dimensões, ordenava coisas em nome de entidades que jamais suspeitara, sem saber se comprometia sua alma com a ilusão ou o Inferno.

Um vendaval assustador soprou sobre a ilha, deitando os juncos, arrancando seus capuzes e assustando as belbelitas. Mas, apesar de recuar um pouco, o nevoeiro infiltrava-se nas lacunas da magia do mago. César exigiu mais, gritou para o céu que não via e o vento tornou-se ainda mais furioso, arrastando a balsa para a lagoa. Cíntia saltou e correu para ela, segurando-a, antes que fosse tarde demais. As belbelitas bateram as asas amedrontadas e Edula gritou:

– Chega, César ! Queríamos uma ventania, não um tufão!

O mago baixou os braços desalentado. Brisas foram e vieram ao redor deles, o nevoeiro tornou-se ainda pior. O horizonte permanecia oculto.

– Sem dúvida, é outra das arapucas de Clara – resmungou Faiald. – Juntem tudo, vamos partir.

– Partir? Para onde? – grunhiu Eneias a meia voz,  o branco dos olhos avermelhado de tanto esfregá-los. – Não temos para onde ir.

– É evidente que temos – redarguiu Cezna. – Os pescadores nos mostraram e temos o mapa de Márcia. Além do mais, eu sempre posso subir além da capa de névoa e verificar o rumo. E o Rius não é tão estreito, assim...

O rosto de Eneias distorceu-se numa careta de agonia e ele olhou ao redor como uma fera aprisionada:

– Será que vocês ainda não perceberam? Não se pode sair do Tabuleiro! Talvez possamos voltar ao começo, para trilhar tudo outra vez, mas não podemos sair. Simplesmente não dá para fazer!

– Cale essa boca! – disse César aborrecido.

– Nunca ouvi falar em jogadores que voltassem ao início – disse Bulbo tranqüilamente, fechando as mochilas. – Com exceção de Faiald.

– Vocês não sabem de nada – resmungou o Trovador. – Ela sabe. Ela pode ler nossos pensamentos. Não há saída para lugar nenhum. Ela vai vencer, não percebem?

– Do que ele está falando? – perguntou Edula sentando-se, espantada com a reação do amigo.

– De Clara, naturalmente – respondeu César.

Eneias baixou a voz e continuou a falar consigo mesmo.

– Não há saída, estamos apenas adiando o inevitável. Deveríamos terminar logo com isso, deveríamos desistir e nos entregar. Seria um ato de caridade, isso mesmo, uma caridade...

Cíntia olhou para ele, alarmada e gritou erguendo-se. Por um triz, a faca que o trovador sacara de uma bainha em sua cintura não se cravou em seu peito. O rapaz levantou-se largando a arma e gritando, depois, correu para o pântano, agitando os braços em desespero.

– Vou atrás dele! – gritou Cezna.

– Não senhor, você é o que menos pontos de referência têm, nessa névoa. Eu vou – decidiu Márcia, erguendo-se, armada com a faca do amigo. Edula segurou-a pelo braço com força.

– Não vou deixar que se vá. É estupidez.

– Vai deixar que ele se perca por aí? – vociferou a menina com os olhos de fogo. – Meu Deus, Edula, foi por causa dele que viemos!

A guerreira hesitou. Os gritos de Eneias ainda se ouviam, fortes, agudos, desesperados. Ela olhou ao redor, desamparada, com medo de perder a todos e a si mesma. Márcia soltou-se com força.

– Onde está meu irmão?

Cíntia encarou-a:

– Enquanto vocês discutiam, ele e Faiald se meteram na água procurando pelo fujão. Acho que deveríamos levantar o acampamento para podermos partir tão logo eles voltem.

Márcia olhou para o alagadiço e deu um passo naquela direção, mas parou e olhou ao redor confusa e desalentada. Cíntia tocou seu ombro com suavidade.

– Eles vão precisar de alguém que os guie nesse nevoeiro. Nós somos a ponte para a volta, Márcia. Por favor, fique com a gente.

A irmã do mago fechou os olhos grandes demais e, muito pálida, guardou a arma.

– Talvez ele tivesse razão, afinal – disse.

– Eneias ? – indagou Edula, reanimando-se. – Nem pense nisso. Sou capaz de amarrá-la se começar a se portar como ele.

– E como deveríamos nos comportar nesse maldito lugar? – berrou a menina, de volta. Ninguém respondeu e Márcia calou-se assustada, enfiando as mãos trêmulas no interior das mangas que usava.

– Quando vamos sair daqui? – soluçou baixinho. – Quando?

– Quando chegarmos ao fim do caminho – replicou Edula – Quando chegarmos lá, sairemos.

Cezna, fechando a fivela de uma mochila, mordeu os lábios e voltou-se para Bulbo. O gnomo juntava as panelas mais pálido do que de costume, com um ar desesperançado.

 

 

texto registrado na Biblioteca Nacional sob o número 449.762, Livro 844, Folha 422

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